ELEIÇÕES, AUTARQUIAS E CULTURA DE VIOLÊNCIA: MEMÓRIAS DAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 2018 NA ILHA DE MOÇAMBIQUE

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Manuel Zacarias
Lucas Paulo Mabunda
Cleiton Fernando Celestino

Resumo

O artigo propõe-se a analisar a violência eleitoral nas eleições autárquicas de 2018 na Ilha de Moçambique, a partir de uma abordagem mista através de dados quantitativos e qualitativos. Tendo accionado o inquérito por entrevistas semiabertas, os eleitores que votaram nas eleições autárquicas de 2018 na Ilha de Moçambique, procurou-se compreender a dinâmica dos actos de violência eleitoral e seus sentidos na Ilha de Moçambique. A pesquisa, indica que a violência eleitoral na Ilha de Moçambique tem níveis alarmantes, protagonizados na sua maioria por membros e simpatizantes de partidos políticos durante a corrida eleitoral, devido à falta de educação política e cívica dos membros dos partidos e medo de perder o poder. Constatamos igualmente que a maior vítima desses actos eleitorais violentos são os próprios membros e simpatizantes dos partidos políticos e que a sabotagem de material de campanha, intimidação, espancamento, mortes e detenções são assumidos como os actos violentos mais verificados durante o processo eleitoral todo. A pesquisa indica ainda que a violência eleitoral tem contribuído para abstenções no processo de votação, pois, as pessoas sentem receio de se aproximar as mesas de voto por temerem agressões físicas ou verbais pelos vários actores políticos do município, já que a violência eleitoral se tornou em um ritual.

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Como Citar
ZACARIAS, M.; MABUNDA, L. P. .; CELESTINO, C. F. ELEIÇÕES, AUTARQUIAS E CULTURA DE VIOLÊNCIA: MEMÓRIAS DAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 2018 NA ILHA DE MOÇAMBIQUE. Boletim de Conjuntura (BOCA), Boa Vista, v. 10, n. 29, p. 33–48, 2022. DOI: 10.5281/zenodo.6407421. Disponível em: https://revista.ioles.com.br/boca/index.php/revista/article/view/597. Acesso em: 7 jul. 2022.
Seção
Artigos

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