ADEQUAÇÃO SOCIOTÉCNICA DA COMUNIDADE TRADICIONAL DE PESCADORES ARTESANAIS SACO DO TAMBARUTACA

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Octavio Max Wilke
Antonio Marcio Haliski
Luiz Fernando de Carli Lautert

Resumo

Este ensaio exploratório trata da adequação sociotécnica da pesca artesanal na tradicional comunidade de pescadores artesanais do Saco do Tambarutaca, também conhecida como povoado São Miguel, localizada na baía de Paranaguá-PR, Brasil. O objetivo é a análise desses ajustes sociotécnicos que se refletem em seu modo de vida, tendo como recorte temporal a segunda metade do século XIX até o período atual. Os elementos metodológicos são a análise bibliográfica  e a participação ativa dos pesquisadores para demonstrar a modificação e/ou durabilidade das técnicas e tecnologias desenvolvidas nesse território. Por este motivo é uma pesquisa qualitativa. Como resultados, demonstra-se que os avanços dos estudos em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) têm possibilitado o reconhecimento da ciência produzida por esses pescadores em um diálogo constante  com o pensamento acadêmico decolonial.

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Como Citar
WILKE, O. M.; HALISKI, A. M. .; LAUTERT, L. F. de C. ADEQUAÇÃO SOCIOTÉCNICA DA COMUNIDADE TRADICIONAL DE PESCADORES ARTESANAIS SACO DO TAMBARUTACA . Boletim de Conjuntura (BOCA), Boa Vista, v. 16, n. 46, p. 827–853, 2023. DOI: 10.5281/zenodo.10056639. Disponível em: https://revista.ioles.com.br/boca/index.php/revista/article/view/2441. Acesso em: 1 mar. 2024.
Seção
Ensaios

Referências

ADAMS, C. “As populações caiçaras e o mito do bom selvagem: a necessidade de uma nova abordagem interdisciplinar”. Revista de Antropologia, vol. 43, n. 1, 2000.

ALMEIDA, J. A construção social de uma Nova Agricultura: tecnologia agrícola e movimentos sociais no sul do Brasil. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1999.

ALTIERI, M. A.; NICHOLLS, C. I. “Agroecologia e a reconstrução de uma agricultura pós-COVID-19”. The Journal of Peasant Studies, vol. 47, n. 5, 2020.

ANACLETO, A. et al. “Extrativismo do siri com gaiolas no litoral paranaense: implicações socioeconômicas”. Revista SODEBRAS, vol. 10, n. 1, 2015.

ANDRIGUETTO-FILHO, J. M. “Sistemas técnicos de pesca no litoral do Paraná: caracterização e tipificação”. In: RAYNAUT, C. et al. Desenvolvimento e meio ambiente: em busca da interdisciplinaridade. Curitiba: Editora da UFPR, 2002.

ANDRIGUETTO-FILHO, J. M. Sistemas técnicos de pesca e suas dinâmicas de transformação no litoral do Paraná, Brasil (Tese de doutorado). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brazil, 1999.

ARAÚJO, A. M. Áreas culturais. São Paulo: Editora da USP, 1973.

ARINS, S. L. M.; SAMPAIO, G. A. R. “O impacto da invasão do siri-azul (Callinectes sapidus) na biodiversidade da costa brasileira.” Biota Neotropica, vol. 6, n. 1, 2006.

BALANDIER, J. Modernidade e poder: El desvío antropológico. Madri: Júcar, 1988.

BAPTISTA, C. Os siris (Decapoda: Portunidae) do rejeito da pesca artesanal de camarões no Balneário Shangri-lá, Paraná (Dissertação de Mestrado em Ciências Biológicas). Curitiba: UFPR, 2002.

BARACHO, M. L. G. Estrutura fundiária de Paranaguá: 1850-1900. 1995 (Dissertação de Mestrado em História). Curitiba: UFPR, 1995.

BIGARELLA, J. J.; SANCHES, J. “Contribuição ao estudo dos sedimentos praiais recentes: praia suspensa do saco da Tambarutaca, Município de Paranaguá-PR”. Boletim Paranaense de Geografia, n. 18, 1991.

CHABOUD, C.; CHARLES-DOMINIQUE, E. “Les pêches artisanales en Afrique de l'Ouest: état des connaissances et évolution de la recherche”. In: DURAND, J. R. La recherche face à la pêche artisanale, Symposium International. Montpellier: Édité par Jean-René, 1991.

COSTA, S. S. Os engenhos de farinha de mandioca na Ilha de Santa Catarina: uma perspectiva atual (Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em História). Florianópolis: UFSC, 1995.

DAGNINO, R. Tecnologia Social: contribuições conceituais e metodológicas. João Pessoa: Editora da UEPB, 2014.

DENKEWICZ, P. et al. “Turismo e comunidades tradicionais: uma reflexão acerca da Ilha do Mel, PR”. Turismo e Sociedade, vol. 14, n. 3, 2022.

DIAS, C. L. Herdeiros dos caiçaras: um estudo da história, cultura e educação de alunos e moradores da Ilha do Mel (Dissertação de Mestrado em Ensino de Ciências Ambientais). Matinhos: UFPR, 2019.

DIEGUES JR, M. Propriedade e uso da terra no “plantation” brasileiro: Sistemas de Plantaciones en el Nuevo Mundo. Washington: Union Panamericana, 1960.

DIEGUES, A. C. “A mudança como modelo cultural: o caso da cultura caiçara e a urbanização”. In: DIEGUES, A. C. Enciclopédia Caiçara: o olhar do pesquisador. São Paulo: Editora Hucitec, 2004.

DIEGUES, A. C. Enciclopédia Caiçara: o olhar do pesquisador. São Paulo: Editora Hucitec, 2004.

FIGUEIRA, P. O. Isso aqui pra mim é vida: memória, história, pesca e desastre ambiental numa configuração social (Amparo, Paraná, 1940-2010) (Dissertação de Mestrado em História). Curitiba: UFPR, 2014.

FLORIANI, D. “Las ciências sociales en America Latina: lo permanente y transitorio, preguntas y desafíos de ayer y hoy”. Revista Latinoamericana – Polis, vol. 41, 2015.

GAIGER, L. I. et al. “A Economia Solidária no RS: viabilidade e perspectivas”. Cadernos CEDOPE, n. 15, 1999.

HALISKI, A. M.; BAPTISTELLA, R. “O diálogo de saberes socioambientais como alternativa para a criação de um mundo possível em tempos de crise civilizatória”. Revista Grifos, vol. 31, 2021.

HÜBENER, L. M. O comércio da cidade do Desterro no século XIX. Florianópolis: Editora da UFSC, 1981.

IPARDES - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. “APA de Guaraqueçaba: caracterização socioeconômica dos pescadores artesanais e pequenos produtores rurais”. IPARDES [1989]. Disponível em: . Acesso em: 22/09/2023.

LEANDRO, J. A. “A roda, a prensa, o forno, o tacho: cultura material e farinha de mandioca no litoral do Paraná”. Revista Brasileira de História, vol. 27, 2007.

LEANDRO, J. A. “Viver e sobreviver da farinha de mandioca no Litoral do Paraná no século XIX”. In: DENARDIN, V. F.; KOMARCHESKI, R. Farinheiras do Brasil: tradição, cultura e perspectivas da produção familiar de farinha de mandioca. Matinhos: Editora UFPR, 2015.

LOYOLA SILVA, J.; NAKAMURA, I. T. “Produção do pescado no litoral paranaense”. Acta Biológica Paranaense, vol. 4, n. 3, 1975.

MIGUEL, L. A. Formation, evolution et transformation d’un système agraire dans le sud du Brésil (Litoral Nord de l’état du Paraná). Une paysannerie face à une politique de protection de l’environnment: “Cronique d’une mort annoncée?”. (Thèse de doctorat sur Agronomique). Paris: Institut National Agronomique Paris Grignon, 1997.

MOREIRA, C. F. As denominações para os pescadores e os apetrechos da pesca na comunidade de Baiacu-Vera Cruz Bahia (Dissertação de Mestrado em Letras e Linguística). Salvador: UFBA, 2010.

MOREIRA, E.; PIMENTEL, M. “O direito à autoidentificação de povos e comunidades tradicionais no Brasil”. Revista Fragmentos de Cultura – Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas, vol. 25, n. 2, 2015.

NASCIMENTO, E. C.; DENARDIN, V. F. “Malhas da reciprocidade: a pesca coletiva da tainha na Ilha do Mel – Litoral do Paraná”. Desenvolvimento e Meio Ambiente, vol. 40, 2017.

OLIVEIRA, A. A.; KALINOWSKI, R. M. O trançado em Tambarutaca. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 1987.

PARANAGUÁ. “Baía de Paranaguá”. Portal Paranaguá [2021]. Disponível em: . Acesso em: 22/09/2023.

PASSOS, A. C. et al. “Fishes of Paranaguá estuarine complex, south west Atlantic”. Biota Neotropica, vol. 12, 2012.

PEIXOTO, J. “Autogestão: um modelo alternativo de reestruturação da produção”. In: PONTE JÚNIOR, O. (org.) Mudanças no mundo do trabalho: cooperativismo e autogestão. Fortaleza: Editora Expressão, 2000.

PICANÇO, J. L.; MESQUITA, M. J. “A cartografia primitiva da Baía de Paranaguá (Séculos XVI-XVII) e os limites da América portuguesa”. Revista Brasileira de Cartografia, vol. 67, n. 4, 2012.

RIBEIRO, D. O dilema da América Latina: estruturas de poder e forças insurgentes. Petrópolis: Editora Vozes, 1978.

ROSENDAHL, Z. Espaço e religião. Rio de Janeiro: Editora UERJ, 1996.

SAMPAIO, R. Uso balneário, apropriação do espaço e meio ambiente em Pontal do Paraná, litoral paranaense (Tese de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento). Curitiba: UFPR, 2006.

SANTOS, A. V. Memória histórica da cidade de Paranaguá e seu município. Curitiba: Museu Paranaense, 1950.

SANTOS, W. S. Ressignificando o currículo escolar: Uma análise sobre as lutas pelo direito à Educação do Campo nas comunidades de Pescadores Artesanais de Guaraqueçaba – Paraná (Dissertação de Mestrado em Ciência Tecnologia e Sociedade). Paranaguá: IFPR, 2019.

SILVA, T. T. Identidade e Diferença: A perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.

STROPARO, T. R. “Território, agroecologia e soberania alimentar: significações e repercussões bob a égide decolonial”. Boletim de Conjuntura (BOCA), vol. 13, n. 39, 2023.

TCP - Terminal de Conteineres de Paranaguá. Estudo de impacto ambiental: Ampliação do cais. Paranaguá: TCP, 2010.

THOMÉ, V. C.; TOTTI, M. E.; TIMÓTEO, G. M. “Educação ambiental em tempos de pandemia: engajamento dos pescadores artesanais na governança das águas e pescado”. Boletim de Conjuntura (BOCA), vol. 13, n. 39, 2023.

WILKE, O. M. Adequação sociotécnica da comunidade tradicional de pescadores artesanais Saco do Tambarutaca (Dissertação de Mestrado em Ciência, Tecnologia e Sociedade). Paranaguá: IFPR, 2023.

ZANONI, M.; RAYNAUT, C. “Meio ambiente e desenvolvimento: imperativos para a pesquisa e a formação? Reflexões em torno do doutorado da UFPR”. Desenvolvimento e Meio Ambiente, vol. 33, 2015.